A revolução do 25 de Abril de 1974 trouxe a Portugal Liberdade, pondo fim a um longo período de Ditadura fascista de 49 anos. Após 1976 houve retrocessos graves no processo desta revolução, patrocinada por partidos reaccionários de direita tendo como aliados algumas famílias Fascistas. Portugal foi caminhando o trilho de uma sociedade capitalista, geradora de profundas injustiças sociais.



Neste blog iremos denunciar os sistemáticos atentados que todos os dias ocorrem às Liberdades, Direitos e Garantias que herdámos de homens e mulheres que lutaram para que fosse possível o maior acontecimento histórico do século xx em Portugal.



quinta-feira, 17 de abril de 2014

"Papel de embrulho"


Num fundo azul impactante e letras abertas a branco, surge-nos a palavra MUDANÇA em centenas de cartazes eleitorais que estão agora espalhados pelo País e que são assinados pelo PS. Nada de novo! Nas eleições legislativas de 2011, o PSD apresentou-se com um cartaz cuja frase era «Mudar Portugal» e já tinha feito o mesmo em 2002 numa variante que envolvia a imagem de Durão Barroso e a expressão «Mudar com confiança».

Alguns dirão que estamos no estrito domínio da propaganda política, onde tudo ou quase tudo já foi inventado e onde cada força, cada partido, é livre de se expressar e comunicar com os eleitores da forma que achar mais conveniente incluindo repetindo os slogans de campanha. Mas se chamamos aqui a atenção para este pequeno pormenor, é porque o mesmo é de certa forma revelador do percurso dos últimos 37, quase 38 anos, que levamos de política de direita no nosso País. Onde, a cada governo de um destes partidos – PS, PSD e CDS – sozinhos ou coligados entre si, a cada ciclo de destruição de direitos e concentração de riqueza nas mãos do grande capital, se desenvolve toda uma encenação destinada a tirar proveito do descontentamento da política que os três partilham, para enfim, «mudar» de protagonistas e garantir que no essencial tudo continua na mesma.

Entretanto, o PS encarrega-se de, pelas suas próprias palavras, actos e percurso, confirmar que a expressão MUDANÇA mais não é do que um papel de embrulho para as suas aspirações eleitorais. Um engodo para captar o descontentamento e as legítimas aspirações de mudança do povo português e prosseguir a política ao serviço dos interesses dos grupos económicos por via da exploração de quem trabalha, das privatizações, do ataque aos serviços públicos, da abdicação dos interesses nacionais perante a UE e as grandes potências. Ainda recentemente, quando confrontado sobre se o PS quando for governo repõe os salários, pensões e prestações sociais ao nível de 2011, disse pela voz de um dos seus responsáveis: «A resposta séria é não!». Valha-nos desta vez a «seriedade».

Por Vasco Cardoso,
(publicado no Avante de 17 de Abril de 2014)