A revolução do 25 de Abril de 1974 trouxe a Portugal Liberdade, pondo fim a um longo período de Ditadura fascista de 49 anos. Após 1976 houve retrocessos graves no processo desta revolução, patrocinada por partidos reaccionários de direita tendo como aliados algumas famílias Fascistas. Portugal foi caminhando o trilho de uma sociedade capitalista, geradora de profundas injustiças sociais.



Neste blog iremos denunciar os sistemáticos atentados que todos os dias ocorrem às Liberdades, Direitos e Garantias que herdámos de homens e mulheres que lutaram para que fosse possível o maior acontecimento histórico do século xx em Portugal.



domingo, 23 de setembro de 2012

CTT de Baltar "morte com cinismo"


O sítio na NET da Junta de Freguesia de Baltar informa assim:

“A estratégia de encerramento de estações de correios e agenciamento a outras entidades do serviço público postal, levou ao fim da Estação de Correios de Baltar, curiosamente de forma silenciosa e pacífica.” (sublinhados meus a negrito)

Esta expressão por mim sublinhada a negrito revela muito da autoria de tal anúncio autárquico. Pacificamente, submissa e calada, a Presidente da Junta aceita a perda do serviço, das suas características essenciais, do posto de trabalho, da experiencia acumulada, da riqueza identificadora. E fá-lo com cinismo para com os que dela discordam.

A morte também muitas vezes acontece “curiosamente de forma silenciosa e pacífica”. E não deixa de ser morte.

Esta congratulação com a morte de um serviço público é doentia. Afinal para alguns a vila de Baltar não passa de um lugarejo perdido na serra.

Pena não nos anunciar no sítio na NET da Junta de Freguesia a Presidente da Junta da estratégia de encerramento da Mini- ETAR de Baltar. Mesmo que fosse “curiosamente de forma silenciosa e pacífica”.

Texto de CR em : http://www.cris-sheandbobbymcgee.blogspot.pt/2012/09/morte-com-cinismo.html
Fotografia para mais tarde recordar os coveiros de um serviço público de qualidade e confiança  

Vamos acabar com o Governo das Cigarras, todos a Lisboa dia 29


 

As cigarras que indica, caro ministro Miguel Macedo, não se encontram na situação precária, de desemprego e pobreza porque querem ! O seu partido, aliado ao apêndice CDS-PP, permitem que a labuta do povo não se proporcione exponencialmente !
Mas as formigas (povo), sim, formigas, com consciência social têm trabalhado coletivamente para arranjar alternativas às política que levam à destruição de Portugal diariamente!
A maior cigarra é vossa excelência juntamente e os restantes tentáculos governativos que capam os portugueses e mantêm os luxos ministeriais inalteráveis !

Cartoons publicados no Jornal de Angola sobre licenciatura de Miguel Relvas

 

 




sábado, 22 de setembro de 2012

As indignações

Decorreu um ano com políticas de austeridade extrema e de sacrifícios para a esmagadora maioria da população portuguesa, com reflexos na vida dos trabalhadores e outras camadas populares, tais como, reformados, pensionistas e idosos, utentes e profissionais dos serviços públicos, pequenos e médios comerciantes e industriais, jovens à procura do primeiro emprego e jovens desempregados, colocando o País numa situação de recessão económica e os portugueses em fragilidade e pobreza, impensáveis no Portugal do século XXI.

 No entanto e ultrapassando todos os limites, decoro e sensibilidade social e moral, o atual, esperemos que por pouco tempo, executivo governamental anuncia novas e brutais medidas para agravarem ainda mais a situação dramática do País, constituindo um autêntico roubo, não devemos ter receio das palavras duras, especialmente ao mundo laboral com o aumento das comparticipações para a Segurança Social, das taxas de IRS, a aceleração do ritmo de despedimentos na Administração Pública, enquanto mantém as indecorosas exceções salariais aos gestores e reduz 5,75% na TSU-Taxa Social Única às empresas, beneficiando essencialmente os grandes grupos económicos e as grandes superfícies empresariais, medida sem aval dos próprios representantes do empresariado.

Paralelamente, anuncia o executivo governamental um aumento residual de taxas sobre os mais favorecidos, incidindo nos seus aviões, barcos de recreio e rendimentos, tudo isto contabilizando a ridícula quantia de duas dúzias de milhões de euros em comparação com os milhares de milhões de euros extorquidos aos rendimentos do trabalho, uma operação de «marketing» político e uma hipócrita manobra de diversão para nos fazer crer que os sacrifícios são para todos.

É isto que o primeiro-ministro diz que «não pode ser atirado pela janela fora», mesmo depois de comprovadamente sabermos que as receitas ou o «xarope» se revelaram incapazes de resolver os problemas do País, o qual bem poderia ter sido poupado a este ruinoso caminho protagonizado por PS, PSD e CDS e com a prestimosa clemência do Presidente da República, se houvesse o bom senso de pelo menos escutar as opiniões e mesmo prevenções do PCP.

A credibilidade do governo e a falência das suas políticas estão hoje à vista de todos, pelo que se torna criminosa a sua vontade de continuar o caminho para o abismo com o adiamento das metas do défice, o aumento da dívida soberana, o prolongamento da recessão económica, o esperado aumento do desemprego e o contínuo favorecimento do grande capital.

Pois com este panorama de declínio e pobreza, ainda há quem reclame e se indigne, apesar de continuar a usufruir de mordomias ou acumulação de cargos, caso do Sr. Soares a informar pela televisão que está a ser muito prejudicado com as medidas governamentais e do Sr. Nogueira Leite a dizer-nos via face book que se lhe aumentarem os impostos vai «pirar-se». Eles e outros congéneres já se deviam ter «pirado» há muito tempo, pois assim o País respiraria muito melhores ares e seguramente estaria em muito melhores condições sociais e económicas sem eles.

 Os portugueses devem ter consciência de que, contrariamente ao que nos tentam «injetar» todos os dias, com cábulas e sem elas, há alternativas e propostas a este caminho recessivo e de pobreza, que passam pela renegociação da dívida de forma a permitir uma política económica assente no aumento da produção nacional, da promoção do emprego com direitos, do aumento do investimento, garantindo justiça social e uma legítima distribuição da riqueza, razão pela qual é urgente unir esforços nesse sentido, na certeza de que o povo terá sempre a última palavra.

VB 
14/09/2012
 

domingo, 16 de setembro de 2012

Manifestação, 29 de Setembro

A luta deve continuar, porque se não continua, não valeu a pena. Se não continuarmos seremos vencidos pelo cansaço e pelo comodismo. No dia 29 de Setembro que a Rua volte a falar.

Por um Portugal com futuro e pelo futuro de Portugal.

sábado, 15 de setembro de 2012

Sobre a manifestação de 15 Setembro

Filhos de Abril : É necessário transformar a indignação em ação, para que as manifestações de rua não sejam meros atos de protesto,muito louváveis sem dúvida, mas que deverão ter continuidade numa luta por uma nova política.

Hoje, dia 15, muita gente vem para as ruas protestar, manifestar o seu repúdio contra as consequências da política prosseguida (através de multiformes alianças) desde há anos, consequências que atingem limites de suportabilidade. Estou solidário com quem assim o faz.

No entanto, mais que protestar contra as consequências, há que lutar contra as causas, há que prosseguir com a luta de denúncia e rejeição que se faz, há anos, em cada momento (todos históricos), contra o que nos trouxe a estas consequências.
Hoje, há que mobilizar para essa luta contra as causas, há que impedir que a revolta seja aproveitada, seja manipulada para contrariar a luta consequente e permanente. Seja a torneira de escape ou o pretexto para provocações.

A indignação é mais que legítima, como é indispensável a inserção dos justamente indignados numa luta organizada (não só de alguns, por muitos que sejam, luta convergente, de cada vez mais). Organizada porque discutida, debatida, convergente e com o objectivo de derrotar esta política, que tem, agora, o rosto de uma agressão vinda do exterior e realizada por serventuários internos, com tanto zelo que até começam a ter contra si - e na aparência, no ludíbrio... - os próprios mandatários.

Saúdo, e por mim falo, todos os que hoje se manifestam, justamente indignados.
E preparo-me (com muitos), para a manifestação organizada (por e para muitos, em que incluiria os hoje justamente indignados) para 29 de Setembro, no Terreiro do Paço.
Que terá de ser ENORME!

 
 
Publicado por Sérgio Ribeiro em http://anonimosecxxi.blogspot.pt/

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

"A normalização da anormalidade"

1. Eis uma história simples... O pai do Francisco morre inesperadamente e ninguém sabe como dar-lhe a terrível notícia. Até que surge um voluntário, o António, que, emboscando o Francisco à saída do trabalho, lhe diz: "Francisco, aconteceu uma tragédia, morreu a tua família toda!". O Francisco dá um grito sem som, e o António não espera mais: "Tem calma, pá, estou a brincar, não foi bem assim, morreu apenas o teu pai!". Com um ronco de alívio do tamanho da vida, o Francisco grita: "Ena, pá, que grande susto me pregaste, vamos mas é beber uns copos para festejar!".

2. É que há qualquer coisa que me está a escapar neste dia-a-dia em que fomos mergulhados. Leio no jornal que o governo decidiu o encerramento de mais 239 escolas do 1.º ciclo do ensino básico. Duzentas e trinta e nove escolas, por extenso, não haja confusões. Peço-vos que experimentem contar em voz alta de 1 até 239, e verificarão que no último terço da contagem a nossa voz começa a ficar entaramelada... Mas, tanto quanto o encerramento das escolas, incomodou-me – a acreditar nos jornais – a passividade com que ele foi aceite, por dirigentes das escolas, por docentes, por pais, por autarcas, com o extraordinário argumento de que, desta feita, tudo havia sido previamente acertado. Ora, estas 239 não constituem senão a última fatia – até agora – de um total de 3720 escolas encerradas desde 2005. Três mil setecentas e vinte! Contar em voz alta de 1 até 3720 deixa-nos seguramente sem fôlego – um reflexo fisiológico menor da brutalidade concretizada neste impiedoso e sistemático encerramento. Já nem falamos dos sérios inconvenientes que existem na substituição de uma escola humanizada, de pequena dimensão, próxima da família – tudo o que se recomenda, enfim, para crianças com estas idades –, por uma outra a quilómetros de distância, por vezes a muitos quilómetros, onde os alunos passam de pessoas a números, fruto de uma gestão cada vez menos pedagógica por força dos mega-agrupamentos.

3. O nosso país está a ser reduzido a duas faixas litorais: uma, a oeste, que se estende no sentido norte-sul, entre Viana do Castelo e Setúbal, com não mais de 40 km de profundidade, e uma outra, a sul, no Algarve, no sentido leste-oeste, com menos de 10 km de profundidade – não existem praias tão largas – e entregue à monocultura do turismo. (Devido à sua especificidade geográfica, não falo aqui da Madeira e dos Açores). Fora destas faixas, existem alguns enclaves: Évora, Viseu, Vila Real e, sem ofensa, pouco mais. Porque quando se encerram 3720 escolas, e esse encerramento é acompanhado pelo de maternidades, centros de saúde, valências hospitalares, tribunais, linhas de caminho de ferro, estações de correio, postos da GNR, esquadras de polícia – o que é que afinal está a ser encerrado? Ou, de outro modo, que país nos resta? Na definição de "país", até na componente estratégica da defesa, a ocupação do território é essencial – e nós não estamos a ocupar mais do que 30.000 dos 89.000 km2 do nosso território continental.

4. Ouço na televisão um sindicalista docente dizer, à saída de uma reunião com o Senhor Ministro da Educação e da Ciência: "Há possibilidades de não haver condições de sucesso para os alunos". Bem, eu sei que devemos ser cuidadosos com as palavras – mas tanto?!... Com as alterações curriculares, com o aumento do número de alunos por turma, com a constituição dos mega-agrupamentos, com o despedimento, no imediato ou a prazo, de milhares de professores (não dezenas de milhares, mas apenas [?] milhares), com a promessa feita pelo Ministério de que as melhores escolas (o que quer que isto queira dizer) poderão vir a contratar mais professores (quando qualquer pessoa de bom senso pensaria que, a existir essa possibilidade, ela se destinaria às escolas mais problemáticas), com a instabilidade e a insegurança instaladas na vida profissional, pessoal e familiar dos docentes por meio de uma brutal guerra contra eles desencadeada pelo Ministério, concretizada no bombardeamento das escolas com sucessivas e contraditórias orientações sobre a vinculação e os concursos – e não se diz mais do que "Há possibilidades de não haver condições de sucesso para os alunos"?!... Uma frase que é exactamente o mesmo que nada dizer.

5. A anormalidade já está normalizada?...

José Calçada (texto publicado no Público)