A revolução do 25 de Abril de 1974 trouxe a Portugal Liberdade, pondo fim a um longo período de Ditadura fascista de 49 anos. Após 1976 houve retrocessos graves no processo desta revolução, patrocinada por partidos reaccionários de direita tendo como aliados algumas famílias Fascistas. Portugal foi caminhando o trilho de uma sociedade capitalista, geradora de profundas injustiças sociais.



Neste blog iremos denunciar os sistemáticos atentados que todos os dias ocorrem às Liberdades, Direitos e Garantias que herdámos de homens e mulheres que lutaram para que fosse possível o maior acontecimento histórico do século xx em Portugal.



sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Presidenciais-O meu tão (defeituoso) candidato

Aí está o candidato presidencial do PCP, Francisco Lopes, para desgosto de políticos, comentadores, jornalistas e “blogueiros”, desde o Bloco de Esquerda até à extrema direita.

Todos eles, diariamente e com apenas ligeiras nuances de forma, dão muita atenção ao que se passa com os comunistas. Todos eles, quase sem excepção, repartem essa sua “atenção”, ora em ataques de um ódio vesgo e anticomunismo descontrolado, ora numa extrema “preocupação” com o futuro do PCP. Todos mantêm a eterna obcessãozita de que o PCP se abra... à modernidade. Todos sonham (não duvido!) com um PCP irremediavelmente “renovado, forte e influente", como, sei lá... o Partido Comunista Italiano, o Partido Comunista Francês, o Partido Comunista Espanhol... etc.

Desgraçadamente o Partido Comunista Português teima nesta coisa “suicidária” que é continuar comunista. Falhado (por um qualquer acidente) o definhamento e a morte certa anunciada com a eleição de Jerónimo de Sousa para a tarefa de Secretário Geral, mais uma vez, vão entregar um encargo tão importante como a campanha presidencial... a um comunista. Aquilo a que os nossos queridos politólogos chamam um “ortodoxo”.

O tom odiento com que chamam “ortodoxo” a Francisco Lopes, fazem-no parecer culpado de todos os males que caíram sobre Portugal desde o 25 de Novembro... incluindo o próprio 25 de Novembro. Francisco Lopes seria assim amigo íntimo de Carlucci e patrocinado pela CIA. Francisco Lopes seria culpado pelos crimes contra a Reforma Agrária, pelo engavetamento do socialismo, pela venda de Portugal aos interesses económicos do grande capitalismo internacional, pela degradação da saúde, da educação, pela liquidação da agricultura, das pescas, no nosso tecido produtivo. Francisco Lopes teria conseguido o seu diploma de electricista com uma cunha e ao Domingo. Enquanto militante comunista intimamente ligado às lutas sindicais seria igualmente culpado, pelo menos a fazer fé nesse grande teórico António Chora, por, deliberadamente, levar os trabalhadores a radicalizarem lutas, no sentido de conseguir o maior número de falências e encerramentos de empresas, que produzissem um número tal de desempregados... que fossem suficientes para dar ao PCP muitos “tempos de antena de protestos e bandeiras negras”, pois isso, ainda segundo o génio Chora, é que interessa aos comunistas.

Francisco Lopes, para além do indesculpável atrevimento de não ser nem doutor, nem arquitecto, nem engenheiro, tem ainda o enorme descaramento de aparecer nesta campanha para fazer um verdadeiro debate à esquerda e, sem peias, defender os valores e ideais de Abril e uma vida melhor para os trabalhadores e para o povo em geral... sem ter medo de afirmar que isso implicará necessariamente uma vida pior para os banqueiros, especuladores e exploradores.

Ponderado tudo isto e mesmo considerando os inúmeros defeitos de que Francisco Lopes, enquanto “empedernido ortodoxo” parece ser portador (mais outros de que me terei esquecido), declaro que, até ao limite em que isso seja útil, o meu candidato é Francisco Lopes.

Ver em: http://samuel-cantigueiro.blogspot.com/

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Ora aqui está o diálogo inteligente do Estado…. "Utilizador pagador"

Contribuinte – Gostava de comprar um carro.
Estado – Muito bem. Faça o favor de escolher.
Contribuinte – Já escolhi tenho que pagar alguma coisa?
Estado – Sim. Imposto sobre Automóveis (ISV) e Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA)
Contribuinte – Ah. Só isso.
Estado – e uma “coisinha” para o por a circular (selo)
Contribuinte – Ah!
Estado – e mais uma coisinha na gasolina necessária para que o carro
efectivamente circule (ISP)
Contribuinte – mas sem gasolina eu não circulo.
Estado – Eu sei.
Contribuinte – mas eu já pago para circular.
Estado – claro.
Contribuinte – então vai cobrar-me pelo valor da gasolina?
Estado – também. mas isso é o IVA. o ISP é outra coisa diferente.
Contribuinte – diferente?
Estado – muito. o ISP é porque a gasolina existe.
Contribuinte – porque existe?
Estado – há muitos milhões de anos os dinossauros e o carvão fizeram
petroleo. e você paga.
Contribuinte – só isso?
Estado – Só. Mas não julgue que pode deixar o carro assim como quer.
Contribuinte – como assim?
Estado – Tem que pagar para o estacionar.
Contribuinte – para o estacionar?
Estado – Exacto.
Contribuinte – Portanto pago para andar e pago para estar parado?
Estado – Não. Se quiser mesmo andar com o carro precisa de pagar seguro.
Contribuinte – Então pago para circular, pago para conseguir circular
e pago por estar parado.
Estado – Sim. Nós não estamos aqui para enganar ninguém. O carro é novo?
Contribuinte – Novo?
Estado – é que se não for novo tem que pagar para vermos se ele está
em condições de andar por aí.
Contribuinte – Pago para você ver se pode cobrar?
Estado – Claro. Acha que isso é de borla? Só há mais uma coisinha…
Contribuinte – Mais uma coisinha?
Estado – Para circular em auto-estradas
Contribuinte – mas eu já pago imposto de circulação.
Estado – mas esta é uma circulação diferente.
Contribuinte – Diferente?
Estado – Sim. Muito diferente. É só para quem quiser.
Contribuinte – Só mais isso?
Estado – Sim. Só mais isso.
Contribuinte – E acabou?
Estado – Sim. Depois de pagar os 25 euros acabou.
Contribuinte – Quais 25 euros?
Estado – Os 25 euros que custa pagar para andar nas auto-estradas.
Contribuinte – Mas não disse que as auto-estradas eram só para quem quisesse?
Estado – Sim. Mas todos pagam os 25 euros.
Contribuinte – Quais 25 euros?
Estado – Os 25 euros é quanto custa o chip.
Contribuinte – custa o quê?
Estado – Pagar o chip para poder pagar.
Contribuinte – Custa pagar?
Estado – Sim. Pagar custa 25 euros.
Contribuinte – Pagar custa 25 euros?
Estado – Sim. Paga 25 euros para pagar.
Contribuinte – Mas eu não vou circular nas auto-estradas.
Estado – Imagine que um dia quer…tem que pagar
Contribuinte – Tenho que pagar para pagar porque um dia posso querer?
Estado – Exactamente. Você paga para pagar o que um dia pode querer.
Contribuinte – E se eu não quiser?
Estado – Paga multa.