A revolução do 25 de Abril de 1974 trouxe a Portugal Liberdade, pondo fim a um longo período de Ditadura fascista de 49 anos. Após 1976 houve retrocessos graves no processo desta revolução, patrocinada por partidos reaccionários de direita tendo como aliados algumas famílias Fascistas. Portugal foi caminhando o trilho de uma sociedade capitalista, geradora de profundas injustiças sociais.



Neste blog iremos denunciar os sistemáticos atentados que todos os dias ocorrem às Liberdades, Direitos e Garantias que herdámos de homens e mulheres que lutaram para que fosse possível o maior acontecimento histórico do século xx em Portugal.



domingo, 31 de janeiro de 2010

Praça cheia no Porto, a abrir a acção descentralizada da CGTP-IN Determinação para lutar com razão

"FILHOS DE ABRIL": Apesar da ameaça de mau tempo, que se fez sentir desde o início da quinta-feira passada, mais de mil dirigentes, activistas e delegados sindicais, dos mais diversos sectores, acorreram à concentração, na Praça dos Poveiros, promovida pela União de Sindicatos do Porto, da CGTP-IN, na tarde de 21 de Janeiro, inserida na acção descentralizada de âmbito nacional, decidida pela central.

Ainda antes da hora marcada, já muitos grupos de trabalhadores se encontravam naquele local. Grupos identificados com faixas dos sectores a que pertencem ou relativas a situações específicas de empresas, muitos outros trabalhadores empunhando bandeiras e pancartas. Podia-se ler palavras de ordem, como «Mais emprego, salários e direitos» e «Defender os direitos é defender o emprego», entre outros dizeres reivindicativos.
Por volta das três horas, com a Praça dos Poveiros cheia, iniciaram-se as intervenções de dirigentes e activistas sindicais e de outros trabalhadores, que ali expuseram situações dramáticas vividas em empresas e sectores do distrito.
À tribuna subiram também Manuel Carvalho da Silva, secretário-geral da CGTP-IN, e João Torres, da Comissão Executiva da central e coordenador da União de Sindicatos do Porto.
Francisco Figueiredo, coordenador do Sindicato de Hotelaria e Similares, referiu-se às diversas lutas levadas a cabo neste sector, destacando um grande grupo de trabalhadores que ali se encontrava, mesmo em frente ao palco, segurando uma faixa onde se podia ler: «Não ao despedimento colectivo de 114 trabalhadores da Eurest/Makro». Este despedimento, acusou aquele dirigente, prova que «o Governo anda a enganar os trabalhadores e o povo», quando «anda por aí a dizer que, com a sua política, impediu a consumação de muitos milhares de despedimentos e que tem uma política a favor do emprego». O Ministério do Trabalho, «apesar de avisado, não compareceu a nenhuma das quatro reuniões» realizadas no âmbito do despedimento colectivo e «fez vista grossa às ilegalidades praticadas pelas empresas Eurest e Makro». Precisamente por haver despedimentos e situações de lay-off ilegais, «os trabalhadores sentem-se, todos, abandonados pelo Governo».
Do sector do comércio, e referido por um dirigente do CESP na sua intervenção, também se concentraram ali trabalhadores do Pingo Doce, em luta «para obrigar a empresa a repor a legalidade e o respeito pelos direitos legais e contratuais», como afirmam numa brochura que têm vindo a distribuir à porta dos seus locais de trabalho. Nestes supermercados, do Grupo Jerónimo Martins - e ainda segundo o mesmo documento -, verificam-se diversas irregularidades, algumas com carácter profundamente desumano, tais como o desrespeito pelo direito à amamentação e aleitação, nos domingos e feriados; horários de trabalho que são alterados diariamente; incorrecta definição das categorias profissionais de vários trabalhadores. Acresce a tudo isto que o Pingo Doce deve aos trabalhadores o valor das diferenças salariais retroactivas respeitantes a 2008. Ironizando com a publicidade da rede de supermercados, mas referindo-se à entidade patronal, os trabalhadores afirmam que «sabe bem pagar tão pouco e não respeitar os direitos dos trabalhadores».
Estiveram também presentes trabalhadores da Victor, empresa de metalomecânica, sediada em Santa Cruz do Bispo (Matosinhos), para quem o ano que há pouco acabou foi «tenebroso». Os cerca de trinta trabalhadores desta empresa viveram 2009 entre salários em atraso, suspensões de contrato, dois processos de insolvência, a venda da empresa a um grupo empresarial de Coimbra (que lhes prometeu a «normalidade») e, de novo, salários em atraso e suspensões de contrato. Encontram-se agora afogados na incerteza, rondados pelo fantasma do desemprego, até porque, descobriram-no recentemente, a empresa tem uma dívida significativa à Segurança Social.
Este é um drama partilhado com muitos outros trabalhadores do distrito, como os da têxtil Flor do Campo, de Santo Tirso, também presentes na concentração, e que se viram privados de 70 por cento dos seus créditos, por decisão da Assembleia de Credores, no processo de insolvência em que a empresa se encontra. Como se não bastasse a inacreditável injustiça de privar os trabalhadores de dinheiro que lhes pertence, não chegando muitos deles a poderem receber sequer os seus meses de salários em atraso, aqueles vêem-se também confrontados com a inoperância do Fundo de Garantia Salarial, de quem reclamam o adiantamento dos créditos reconhecidos. Os trabalhadores foram recentemente informados de que em Março saberão se recebem, ou não, e essa informação só foi prestada perante uma manifestação realizada junto daqueles serviços da Segurança Social, em Lisboa.
No desemprego ficaram também recentemente cerca de três dezenas de trabalhadores da JP Sá Couto, empresa do sector electrónico, em Perafita (Matosinhos). Alguns destes compareceram na Praça dos Poveiros, manifestando a sua indignação com a precariedade vivida na empresa e com a forma absolutamente arbitrária como aquela tem vindo a proceder aos despedimentos.

Motivos comuns

Esta concentração teve como motivação a degradação contínua da situação sóciolaboral, no distrito do Porto. Para a participação neste combate, a estrutura distrital da CGTP-IN apela a todos os trabalhadores, com motivos comuns para a indignação e o protesto, e para a luta em defesa dos direitos e de aumentos efectivos de salários.
O apelo está presente na resolução, aprovada por unanimidade na concentração e que contém, entre outras, exigências de medidas políticas, que travem a destruição do aparelho produtivo na região, e de revogação das normas gravosas do Código do Trabalho e da legislação laboral da Administração Pública, nomeadamente no que concerne à contratação colectiva.
No documento exige-se igualmente celeridade e eficácia na fiscalização laboral e na justiça, num quadro de garantia de serviços públicos reforçados e de qualidade. Estas e outras medidas e alterações políticas são consideradas como imprescindíveis para, «de facto, combater a pobreza e a exclusão social» no distrito do Porto, e não ficar apenas pela declaração do «Ano Europeu».
Após a aprovação da resolução, os participantes na concentração acompanharam a delegação sindical que ficou encarregue de a entregar no Governo Civil. Pelas ruas de Passos Manuel, de Santa Catarina e de Fernandes Tomás, fizeram ouviram claramente a determinação dos trabalhadores em exigir uma mudança de rumo político, que tenha em conta a grave situação sociolaboral do distrito, e em sublinhar que a luta continua.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

ENTRE AS ÁGUAS PROFUNDAS E O ORÇAMENTO

Portugal tem a 3.ª maior Zona Económica Exclusiva da UE e a 11.ª do mundo. Apresentou recentemente o seu alargamento para mais 1,2 milhões de Km2. Os mares insulares acrescentam território e claramente somam obrigações. Esta realidade, que nos qualifica como potência marítima, tem de ter uma importância decisiva nas prioridades de planeamento no âmbito da Defesa, Soberania e Economia.

Necessita por isso o País de defender o seu território e os seus recursos marinhos da cobiça alheia, através do patrulhamento aéreo e naval, que seja ostensivo para predadores que sonhassem porventura aproveitar a inoperacionalidade dos nossos navios da Marinha (as fragatas, sobretudo) e dos meios aéreos.

Dito isto, vejamos as opções das autoridades na resposta às necessidades operacionais da ZEE.

A ideia de comprar novos submarinos partiu de António Guterres, sendo seu Ministro da Defesa o democrata-cristão Rui Pena. Os U209 foram valorizados pelo seu papel dissuasor e belicista, aproveitando uma superior capacidade de imersão e raio de acção. O argumento de que a utilização dos submarinos corresponde a necessidades reais é muito discutível. Percebe-se sim que com a participação de Portugal na NATO e a crescente intervenção da aliança nos conflitos e na geoestratégia mundial (caso do Iraque, Afeganistão) tornam a compra dos submarinos justificável para os seus defensores.

Em 2004 Paulo Portas, o ministro da Defesa Nacional do governo de Durão Barroso, encomendou a um consórcio alemão 2 submarinos da classe 209 PN. Serão os maiores submarinos construídos até hoje na Alemanha. Aguardam a sua chegada a Portugal, após os testes e viagem de ensaio.

Mas aqui chegados, num processo complexo, que envolveu até protestos de um consórcio francês concorrente, e dúvidas fortes sobre a necessidade de um tal tipo de embarcação para um país como Portugal, acumulam-se suspeitas sobre o negócio. Os custos iniciais da construção envolvem, sem juros, mais de 800 milhões de euros, verba que é 0,5% do Produto Interno bruto (PIB) e o seu pagamento, por si só, onera o défice orçamental das contas públicas em 2010, duplicando-o (de 0,4% para 0,9%). Consta que outros países obtiveram submarinos em condições mais vantajosas. Em tempo de crise, os submarinos de Portas são uma dor de cabeça para Sócrates.

Mas acrescem outros factos ao negócio dos submarinos. Como por milagre terá desaparecido o contrato original que estabelecia as contrapartidas por parte do consórcio alemão. Como por milagre terá surgido um depósito de 1,1 milhões de euros nas contas do CDS de Portas antes do final de ano de 2004, a 2 meses de eleições legislativas. Investigam o Departamento Central de Investigação e Acção Penal, a Polícia Judiciária, o Tribunal de Contas, as autoridades alemãs.

Sócrates e Portas, reunidos, provavelmente estiveram a discutir o Orçamento de Estado. Ou terão estado a trocar papéis, ou a negociar silêncios?

Em águas turvas dos segredos oficiais e das conveniências nacionais, a verdade do negócio com o estaleiro de Kiel imerge e dificilmente flutua. O que não se espera dos submarinos.

cristianoribeir@gmail.com


Filhos de Abril:Apelamos para que o povo Português acorde de vez!

Porque será que um partido que se diz de esquerda (treta) negoceia à direita um orçamento de estado?

domingo, 24 de janeiro de 2010

Resposta ao artigo "curiosidades" do Blog do Partido Socialista de Paredes

"Filhos de Abril": Resposta ao artigo "curiosidades" do Blog do Partido Socialista de Paredes no qual dá a entender que não querem ter responsabilidades na questão da privatização da água.

Nós os "Filhos de Abril" queremos agradecer a visita ao nosso Blog de todos os Paredenses independentemente da sua opção política contudo no artigo dos Socialista ficamos na duvida se há um PS em Paredes e outro no Governo, o mesmo que teve maioritariamente no poder desde o 25 Abril e com uma maioria absoluta.


Senhores Socialistas quando falamos da privatização da água não falamos de há 10 anos atrás, mas sim de mais uns anitos em cima e para que os Senhores tenham mais conhecimento de tão complexa matéria, vamos deixar aqui um estudo elucidativo, até porque, nós achamos que suas excelências podem não ter o verdadeiro conhecimento de algumas atitudes de certos membros do vosso partido.


A água é de todos e não um negócio de alguns!

É sabido que no nosso concelho a concessão da rede de água esta entregue a "VEOLIA", facto só possível porque a passividade e falta de informação dos Paredenses a juntar a cumplicidade dos nossos Governantes e o apetite voraz dos capitalistas, permitindo a sua privatização.

Iremos denunciar todo o jogo de bastidores que certos senhores utilizaram e utilizam em função de ter o domínio absoluto sobre um bem que devia ser colectivo e não um negócio.

Esperemos que ao lerem este estudo profundo que aqui iremos resumir, os habitantes de Paredes se juntem a uma consciência única, de forma a sermos cada vez mais a travar todos que pensam que são proprietários de um bem básico e imprescindível do qual no futuro poderá afectar gravemente a saúde e a vida das pessoas.
A água o Petróleo do século XXI!
Era uma vez...
 A questão da água – uma outra leitura

Hoje em dia é lugar-comum dizer que existe um problema da água – escassez, faltas de distribuição e tratamento, preços, entre outros. O panorama, à escala mundial, é aterrador: segundo as Nações Unidas mais de mil milhões de pessoas não têm acesso a água, tout court, e este número aumentará para o dobro nos próximos dez anos.

A juntar a este panorama dantesco mais de 1,1 milhões de pessoas não têm acesso a água potável. Disto resulta que 180 milhões sofrem de doenças relacionadas com a má qualidade da água e, destas, pelo menos dois milhões morrem de cólera, diarreia, tifóide e hepatite; mais de quatro mil crianças morrem diariamente por doenças relacionadas, exclusivamente, com a insalubridade da água sendo a segunda maior causa de doenças de crianças até aos cinco anos; um jovem morre em cada oito segundos por causa de ingestão de água contaminada.
Se a escassez de água afecta, maioritariamente, os países pobres, no que diz respeito à contaminação ela é transversal a toda a humanidade; basta dizer que nos Estados Unidos mais de 230 milhões de pessoas, num total de 281 milhões, estão expostos a água contaminada incluindo a engarrafada.
Estes números são demasiado escandalosos quando se sabe que bastam 20 litros diários de água por criança para satisfazer as necessidades básicas. Estamos, portanto, face a dois problemas: a inexistência ou escassez de água e a sua má qualidade.
No planeta existe água mais que suficiente para satisfazer as necessidades da humanidade no imediato e a longo prazo (de toda a água existente no planeta, 40 milhões de km3 são água doce). Resultado dos enormes desequilíbrios, em graus de desenvolvimento, de que sofre a humanidade, produto das políticas coloniais e neo-coloniais e de rapina do imperialismo, o consumo da água apresenta disparidades enormes e imorais.
Basta dizer que um canadiano, por exemplo, consome diariamente seis vezes mais água que um indiano e 30 vezes mais que um keniano do meio rural; que qualquer de nós em Portugal consumimos 33 vezes mais água que um moçambicano e 22 vezes mais que um angolano. Estas discrepâncias nada têm a ver com os recursos aquíferos destes países mas sim com a continuação do subdesenvolvimento e miséria que lhes são impostos pelos agentes do imperialismo, nomeadamente o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional.

A água – o petróleo do século XXI

Actualmente o mundo gasta 10,7 mil milhões de euros em projectos relacionados com a água e este valor tende a aumentar, respondendo aos apelos «humanitário» das grandes multinacionais da água.
O Fundo Europeu para o Desenvolvimento (EDF) é o principal instrumento de financiamento deste tipo de projectos (9,9 biliões de euros no período 2008-13) através do PPIAF e do Banco Mundial com vista à privatização ou liberalização – como gostam de baptizar o crime – do comércio da água não só na Europa como no mundo. O envolvimento da UE na privatização da água é total, sendo a mais fiel colaboradora do Banco Mundial.
Os 10,7 mil milhões de euros são uma verba superior à que gastam Portugal e Espanha em despesas militares e iguala o valor do Canadá na mesma rubrica.
Estimativas apontam para 201 mil milhões de euros o que é gasto anualmente na indústria da água. Tudo isto é apetecível para a gula voraz do capitalismo; as possibilidades de lucros, a maior parte deles ilegítimos mesmo numa óptica estritamente capitalista, são colossais e fazem jus ao título da revista dos senhores do capital, a Fortune, quando afirma que «a água é o petróleo do século XXI».

Crimes e resistência

O maior obstáculo à prossecução dos objectivos criminosos do capital é a resistência que as populações têm feito à privatização da água, como elucida uma recente sondagem aos portugueses feita pela Marktest e encomendada pelo STAAL, na qual 69% dos inquiridos se afirmam contra a privatização ou gestão privada do abastecimento de água. Outras sondagens em vários países apontam para valores semelhantes.
Em todo o mundo o usufruto da água sempre representou para os povos um direito inalienável, muitas vezes protegido por legislação; a Antiga Roma proibia «a propriedade privada da água de uma fonte, rio ou natural canal»; nos países muçulmanos, e seguindo os ensinamentos do Profeta que proibia a sua venda, o direito à água, mesmo para irrigação, está plasmado no Código Civil Otomano de 1870; nos tempos modernos, na União Soviética, toda a água era propriedade da comunidade, na China, a Lei da Água de 1988 define-a como propriedade de todo o povo e, na Bolívia, a actual constituição determina que «...os recursos hídricos e os seus serviços não podem ser objecto de apropriação privada» (art.º 337).
A partir de 1989, com o governo de Margaret Tatcher, começou a histeria de privatizações – que em Portugal teve, e tem, fiéis discípulos e entusiastas seguidores, entre eles o actual inquilino de Belém. Começando pela privatização da água em Inglaterra e no País de Gales através da venda pública das acções, depressa a febre privatizadora se estendeu aos países da Europa Ocidental e ao Mundo. Em Inglaterra e no País de Gales, em relação a 1989, a água aumentou 450%, os lucros das companhias 692% e os ordenados dos respectivos presidentes aumentaram 708%; o número de pessoas que se viram privadas de água por falta de pagamento subiu 177% e a Associação Médica Britânica responsabiliza a privatização da água como sendo causadora do aumento, em seis vezes, do número de pacientes com disenteria.
Em França depois da privatização os preços subiram 150% e é o próprio governo que revela que «cerca de 5,2 milhões de pessoas consomem água infestada de bactérias»; em Saint Etienne, o preço da água subiu 124% nos dois anos que se seguiram á privatização.
No Equador, a multinacional americana Bechtel (um dos novos proprietários do Iraque) depois de um contrato para o abastecimento de água em Guayaquil deixou 21% da população com água imprópria para consumo e provocou um surto de Hepatite A.
Na África do Sul, a privatização da água entregue a um grupo de companhias trabalhando com o Banco Mundial, foi a causadora da maior epidemia de cólera que vitimou perto de 300 pessoas e infectou 250 000.
Em Cochabamba, na Bolívia, o Banco Mundial recomendou ao governo da oligarquia, em 1999, que autorizasse a privatização da água: as contas mensais da água passaram para 14 euros num país onde o salário mínimo mensal era, na altura, de menos de 70 euros e os 14 euros era o suficiente para alimentar uma família de cinco pessoas durante duas semanas. Ou água ou comida...
A resistência da população provocou numerosas manifestações populares com dezenas de prisões, o assassinato de um jovem à queima-roupa e a declaração do Estado de Sítio. Por fim a oligarquia recuou e as massas conquistaram as suas reivindicações. A luta valeu a pena. Hoje o governo progressista boliviano dirigido por Evo Morales, repôs a legalidade: a água é de todos, portanto, não negociável.
Sobre a apregoada capacidade técnica e eficiência da gestão capitalista, esta tem sido um desastre financeiro para os países ou regiões que a aceitam, ou são obrigados a aceitar. É evidente que esta situação provocou e provoca um sentimento de indignação e revolta um pouco por todo o mundo; os povos não se resignam e a luta pela defesa da água pública tem crescido em todos os quadrantes forçando, nalguns casos, à renacionalização da água ou à sua remunicipalização como está a ser o caso em muitas regiões de França (Grenoble depois de retomar o controlo da água fornece-a hoje aos mais baixos preços de todo o país) ou na Holanda onde o governo, por pressão popular, proibiu a privatização da distribuição de água. Entretanto este mesmo governo promove a sua privatização em países terceiros...

Tudo gente séria...

Recentemente – segundo Maude Barlow, presidente do Conselho dos Canadianos – o Banco Mundial tem vindo a forçar os países mais pobres da América Latina a privatizarem os seus serviços de abastecimento de água e está a cooperar abertamente com transnacionais da água como a Vivendi e a Suez Lyonnaise des Eaux, para que estas instituam «direitos» de lucro no terceiro Mundo.
Se não conseguem a privatização, pura e simples, enveredam por outros caminhos que vão dar ao mesmo objectivo: exercendo pressão sobre países e instituições, interferindo abertamente na discussão democrática de vários países, criando uma rede de instituições fantasmas cujo objectivo é exaltar as vantagens da privatização, a maior parte das vezes debaixo do manto da chamada livre concorrência ou da eficiência da gestão capitalista e da lei «natural» dos mercados.
Também se compra quem é vendável, alastrando a corrupção a todos os níveis do poder político e tendo como central de comando das operações o lobby da água em Bruxelas, camuflado sob a vaga denominação de consultores.
Os contratos a seguir às privatizações são a maior fonte de corrupção na Grã-Bretanha e continua a ser alimentada pelas iniciativas privatizadoras, tendo a polícia registado, em 1996, «130 casos de corrupção muito séria» segundo o Guardian, estimando-se o valor das luvas em 1996 de 597 milhões de euros anuais. Na região de Paris foi estabelecido o valor das mesmas: 2% de todos os contratos são pagos aos maiores partidos políticos da região.
Como se vê é tudo gente séria...

E nós por cá?

A Trilateral é uma associação internacional do grande capital, cujo objectivo a longo termo é, de facto, o governo do mundo. Não é a única mas por interesse da análise conduzamos a nossa atenção para esta gente.
Formada em 1973, é constituída por 390 cidadãos proeminentes como se auto-intitulam.
A maior parte dos seus membros são presidentes de grandes multinacionais norte-americanas, europeias, da Ásia-Pacífico, e ex-membros de governos e parlamentos como Zbigniew Brezenzinski, George Bush pai, Bil Clinton, Henry Kissinger, Dick Cheney e outros; desde a administração Carter, todos os presidentes ou vice-presidentes dos USA, com excepção da actual, eram membros da Trilateral, como foram sete dos doze secretários de Estado e nove dos doze secretários da Defesa, tendo Barak Obama nomeado para o governo onze membros da Trilateral.
Por aqui já se está a ver que tipo de instituição é esta. Tudo isto teria um interesse relativo, não fora o facto de, juntamente com esta gente, estar fina flor do capitalismo português: Estela Barbot, na AEP na altura, Braga de Macedo ex-ministro das Finanças; António Carrapatoso, presidente da Vodafone; Vasco de Mello, na altura presidente da CIP e João Menezes Ferreira ex-deputado socialista. Todos eles membros efectivos do Grupo Europa da Trilateral, a que se juntaram para organizar a reunião de Lisboa a 25-27 de Abril de 1992, ou numa base de colaboração, Pinto Balsemão, António Mexia, José Roquete, Miguel Cadilhe, Ferro Rodrigues, António Vitorino, Valente de Oliveira, António Borges, Rui Mateus, João Cravinho e o imprescindível Durão Barroso, entre outros. Este albergue espanhol que é o Grupo Português da Trilateral dá um retrato exacto de quem são estes patriotas e democratas de pacotilha, do nível de compromissos e das suas profundas inter-relações.
Mas voltemos à água antes que nos afundemos em retóricas desviantes.
Como resultado das várias reuniões da Trilateral sobre as privatizações em 29 de Abril de 1997 reuniu um grupo constituído por Teresa Gouveia, ex-ministra do Ambiente, João Joanaz de Melo, da Geota, o jamais Mário Lino, na altura presidente das Águas de Portugal e administrador do IPE, Pedro Serra, presidente do Instituto da Água, a que se juntaram João Baú, presidente da EPAL, Frederico Melo Franco, presidente da Luságua, e João Bártolo administrador do IPE, hoje presidente da Generg, um consórcio da Fundação Oriente e apoiante da candidatura de Francisco Louçã à presidência da República.
Da dita reunião saiu um documento que foi entregue a Jorge Sampaio, então Presidente da República, a Almeida Santos e a António Guterres.
O documento era claro como... a água, e nele se afirmava «ter como pressuposto a definitiva empresarialização do sector da água» e defendendo a promoção de um sector privado nacional e a «reformulação do modo de intervenção no mercado da EPAL, tendo como objectivo a respectiva privatização»; e mais à frente: «o prazo para desencadear as operações deverá ter em conta o posicionamento estratégico dos grupos portugueses».
Por aqui se vê que, no caso português, não são necessárias muitas manobras para privatizar. As multinacionais que já têm interesses em Portugal, nomeadamente através de empresas espanholas ou ditas espanholas, já têm as suas peças neste tabuleiro do crime organizado que é o comércio internacional da água.
A nível do governo central, a medida mais provável a ser tomada pelos gestores do capitalismo em crise - que é a verdadeira função e razão de ser do PS - é a dispersão das acções em Bolsa das Águas de Portugal, apesar dos desmentidos do ministério do Ambiente cujo último patrão – Nunes Correia – foi, também ele, consultor do Banco Mundial num projecto ligado à água (Prosam), ou através da privatização de serviços municipalizados levada a cabo por autarcas rendidos, ou vendidos, ao sacrossanto altar do capital... E eles abundam.

Que fazer?

Seria cegueira ou ingenuidade, ou ambas as coisas, pensar que esta pilhagem da água é coisa lá de fora...
O que se pretendeu demonstrar – com o frontispício de uma nova leitura – é que a investida é global e que os seus promotores não brincam em serviço, por um lado, e, por outro e no nosso caso, quem vai conduzir a investida privatizadora já está no poleiro ou para lá caminha.
Resta-nos o caminho da luta, alertando as populações para o que está em jogo, mobilizando-as e organizando-as para a defesa da água pública.
Noutra frente da batalha, a do Poder Local, os autarcas comunistas e os seus aliados vão, seguramente, resistir a toda argumentação que, sob as mais diversas camuflagens, pretende de facto a privatização da água. Um dos argumentos mais difundidos é que o poder local não tem meios financeiros e técnicos para resolver o problema... Interessante, pois foi o mesmo argumento utilizado, pelos progenitores dos actuais apóstolos da liberalização, quando diziam, em 1974, 75 e quase até aos anos 80, que as câmaras não tinham meios para resolver o abastecimento de água às populações.
As câmaras de gestão comunista arranjaram os meios e levaram a água a mais de 95% das habitações, número esse ainda não alcançado hoje pelas gestões socialistas, sociais-democratas e quejandas em muitas autarquias do País.
Conseguiu-se na altura e vai conseguir-se hoje, assim haja a compreensão política do problema, o qual é, também, de carácter ideológico e de verdadeira eficácia gestionária ao serviço das populações.
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Fontes:
Banco Mundial; Center for Public Integrity; Confederation of Construction; Specialist Environmemtal; Working Group;; Eurostat; FAO-Aquastat; Instituto de Geografia da URSS; Organização Mundial da Saúde; ONU; Public Service Institut; PSIUR - Universidade de Greenwich; STAAL; Stockolm Peace Institut; União Europeia; World Water Vision; Imprensa escrita nacional e estrangeira.















terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Ensino de Abril

A criança é um ser preenchido por uma multiplicidade de interacções durante o seu crescimento, sendo a principal, a família. Pois esta tem um papel preponderante na construção da criança como pessoa.

A posição da família, as suas práticas educativas, tal como o seu estilo educativo, permite aos pais uma completa diversidade de apresentação perante os filhos.
Poderemos ver pais de diferentes formas, como meros acompanhantes dos filhos, os quais liberam todas as suas actividades e permitem que a casa seja governada pela vontade e persistência dos filhos, no qual os pais unicamente estão lá para os servirem.

Outra forma é colocar os pais como seres rígidos no crescimento intelectual e pessoal dos filhos, pois este é também um ser activo pertencente da família na qual está inserida. Pois um grande problema da nossa sociedade é os pais se colocarem em torno dos filhos e desejarem aos filhos o que os pais não se tornaram, não oferecendo a liberdade para que os filhos escolham o seu próprio futuro. Quando tal é feito, por parte dos filhos é visto como uma falta de educação e não como a procura de autonomia por parte dos filhos, onde aí os pais deveriam aceitar tal facto e encaminhar e acompanhar o filho para o melhor perante a escolha. Pois esse encaminhar e acompanhar não seria feito perante o que os pais mais desejam, mas sim perante o melhor conhecimento por parte dos pais da sociedade onde vivem, de forma a que os filhos se afastem de certos perigos aos quais a sociedade nos reserva. Pois a educação e o facto de se ser educado era comparado à repressão e ao medo. Pois os pais não devem ser sinal disso perante os filhos mas sim pais que tenham capacidade de:

- Dirigir as acções do filho, mas de modo racional e ocidental para o resultado;
- Encoraja a discussão com o filho;
- Partilha os raciocínios que suportam a “política familiar”;
- Valoriza os atributos expressivos e instrumentais, como a autonomia e a conformidade;
- Exerce um controlo firme nos pontos de divergência mas não encerra os filhos às suas restrições;

Autoria de:
JP- Psicopedagogo

domingo, 17 de janeiro de 2010

O Movimento de Utentes da Unidade de Saúde de Gandra entregou um abaixo-assinado na Sede do Agrupamento de Centros de Saúde Tâmega II Vale do Sousa Sul, numa reunião efectuada a 14 Janeiro de 2010.



Os dois representantes do Movimento de Utentes fizeram chegar à Directora Executiva Dr.ª Fátima Gonçalves as assinaturas dos utentes de Gandra que reclamam o prolongamento de horário de funcionamento da referida Unidade até as 20 horas, como já acontece nas Unidades de Saúde de Baltar, Sobreira e Paredes, tornando o serviço mais eficiente para os seus Utentes.

A Dr.ª Fátima Gonçalves foi sensível à revindicação, e mostrou que já tem conhecimento das várias deficiências desta Unidade de Saúde, onde a falta de médicos é uma realidade preocupante, com prejuízo e transtorno para todos os seus Utentes e trabalhadores deste serviço. Assumiu ainda que tem tido dificuldade em encontrar médicos disponíveis para se fixarem nesta Unidade de Saúde.

Na discussão havida, a Directora disse que o Dr. Brás (actual responsável médico em Gandra), será o responsável por um projecto futuro da criação de uma Unidade de Saúde Familiar com prolongamento de horário até as 20 horas, obras de reestruturação e reforço do número de médicos.

O Movimento de Utentes para além de expressar satisfação pelos resultados da reunião, promete colaborar com os responsáveis da Saúde e aguardará atentos para que tudo o que lhes foi dito se cumpra.

O Movimento de Utentes da Unidade de Saúde de Gandra

sábado, 16 de janeiro de 2010

MANIFESTO PELO DESEMPREGADO

O desemprego aí está. São 700.000 portugueses desempregados, dos quais apenas metade aufere subsídio de desemprego. São inúmeros os portugueses vítimas de despedimentos, muitos deles abusivos, expostos a precariedades e ao trabalho sem direitos. São inúmeros os portugueses desempregados sem subsídio de desemprego, sem apoio ou protecção social.
Para todos eles há necessidades sociais impreteríveis. Justificam-se assim medidas diferenciadas, positivas, de salvaguarda. Aponto algumas:
1) Alteração dos critérios de atribuição de subsídio de desemprego;
2) Revogação das normas gravosas, como o dever de apresentação quinzenal que constitui uma medida de coacção contra os trabalhadores desempregados, imponde-lhes um verdadeiro “termo de identidade e residência”;
3) Aumento dos subsídios de desemprego e social de desemprego;
4) Atribuição de pensão de reforma, sem penalização, aos trabalhadores que atingiram 40 anos de contribuições;
5) Isenção total de propinas a todos os trabalhadores estudantes na situação de desempregado;
6) Acesso ao passe social nos transportes públicos para os desempregados.
Atingiríamos assim um clima de atenção e solidariedade para com o desempregado, que tornasse provisória e suportável uma situação anómala e que se quer transitória.
Atingiríamos assim um padrão de co-responsabilidade social em que a discriminação pudesse ser mitigada e ultrapassada.
Atingiríamos assim um patamar de eficácia que aponta a solução da criação de empregos satisfatórios e estáveis.
Seria um “manifesto pelo desempregado”, carta de direitos e deveres, base para uma esperança num futuro melhor. Mas alguns não o vêem assim.

Cristiano Ribeiro (responsável pelo PCP/Paredes)

Ver mais em:PCP/ Lordelo 

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

A água deve ser Pública e não Privada!

Água e saneamento dois serviços públicos! uma só luta contra a sua privatização…


As Freguesias de Paredes e as sua população sai claramente prejudicada pela privatização deste serviço.

A privatização não tornou o seu serviço melhor para os Munícipes, nem sequer trouxe rapidez em fazer chegar as nossas casas, contudo o abastecimento de água e saneamento que a empresa privada Veolia lentamente tem conseguido ligar a rede, é bem pago e a preços impensáveis para as famílias de uma região fustigada pelo desemprego ou pelos baixos salários que recebem, responsabilidade social que deixa de existir quando o objectivo é o Lucro.

É de sublinhar que quando uma empresa privada adquire apoderando-se deste serviço público indispensável e essencial a vida, Ambiente, Saúde, etc.… Deixa de ser público ou seja, de todos nós, passando denominar-se um produto em que este gera riqueza a um punhado de senhores e só acessivel a alguns.

A população de Paredes não foi devidamente informada aquando da concessão pela Câmara Municipal de Paredes à empresa privada Veolia deste tão precioso bem e indispensável à vida das populações.

A luta passa por fazer voltar aos Serviços Municipais este bem Público, para que deixe de ser um negócio.

É de exigência que este serviço seja:
• De Protecção Ambiental
• Acessível a todos
• Os preços adequados a realidade do concelho
• Rapidez na sua ligação a rede de todas as populações do concelho

Até hoje só houve um partido político a defender que o abastecimento e tratamento de águas deva ser Municipalizado ou sistemas criados pelas populações locais como é um facto em Parada de Todeia, Gandra, Sobreira e Recarei.

"Filhos de Abril":
Iremos publicar um texto retirado da candidatura de José Calçada membro da CDU à Câmara Municipal de Paredes que é bem elucidativo:

Água e saneamento básico – Sempre defendemos que a gestão e exploração do sistema de abastecimento e tratamento de águas do Concelho deve voltar para a Câmara, ao mesmo tempo que devem ser mantidos e apoiados os sistemas criados pelas populações e cooperativas locais de Parada de Todeia, Gandra, Sobreira e Recarei. A entrega do abastecimento e tratamento das águas à empresa privada Águas de Paredes, da multinacional francesa Veolia, tem-se revelado um verdadeiro desastre, quer em termos da população abrangida pelo abastecimento, quer em termos dos utilizadores do saneamento. Desde 2001 e até Dezembro de 2007, o nosso Concelho ficou praticamente parado: é esta a “qualidade de serviço” prestado pela Veolia, que, no entanto, os munícipes pagam, e muito. Alguma vez se ouviu uma palavra do PSD, do PS ou do CDS contra este negócio da privatização da água no nosso Concelho? E será que alguém se esquece da vergonha que constituem a ETAR de Castelões de Cepeda e a mini-ETAR de Baltar? E de quanto temos vindo a pagar pela água, pelo saneamento e pelas taxas de ligação? E da mais absoluta falta de apoio nesta matéria às nossas pequenas e micro-empresas?

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

A população de Gandra luta para o necessário prolongamento de horário de funcionamento do seu Centro de Saúde, até ás 20 horas.

Foi nos dado a conhecer que no dia 30 de Dezembro, o Movimento de Utentes do Centro de Saúde de Gandra enviou um pedido de reunião a Exma. Directora Executiva do Agrupamento de Centros de Saúde Tâmega II- Vale do Sousa Sul

 No seguimento de uma iniciativa de recolha de assinaturas junto da população de Gandra, que um grupo de cidadãos dinamizou um Baixo-Assinado que pretende sensibilizar os responsáveis regionais da Saúde para o necessário prolongamento de horário de funcionamento da sua Unidade de Saúde, até ás 20 horas.
Consideram ser da maior justiça esta exigência, que sendo benéfica para a população, equipara Gandra à situação já existente em outras localidades do concelho de Paredes (Parede Cidade,Baltar,Sobreira,Rebordosa).

Solicita o grupo promotor da iniciativa uma reunião com a Direcção Executiva do ACES Tâmega II- Vale do Sousa Sul para entrega do referido Baixo- Assinado e informação de esclarecimento.

"Filhos de Abril":
É do nosso conhecimento que esta reivindicação conta com o apoio da CDU Gandra/Paredes, pois foi proposta de campanha nas ultimas eleições autárquicas.

A CDU assumiu que apoiava a população de Gandra na defesa deste legitimo direito a Saúde em igualdade de horário de funcionamento como têm os Centros de Saúde das Freguesias vizinhas.

Nós os "Filhos de Abril" também achamos que freguesias do mesmo concelho não podem ter direitos diferentes(uns filhos da mãe outros....).

Como todos sabemos, a Unidade de Saúde de Gandra tem um horário de funcionamento que não corresponde as necessidades reais das populações abrangidas. Temos conhecimento que em outras unidades de Saúde do Concelho de Paredes o respectivo horário de funcionamento se estende até as 20 horas, com óbvio benefícios para toda a população abrangida, que tem assim melhores condições de acesso a cuidados de saúde de qualidade.

Gandra Cidade-Universitária com uma população a rondar os 6000 Habitantes, Tenham mais respeito!!!!